Oblíquo-Era

Faça-se o que se fizer, reconstroi-se sempre o monumento à nossa maneira. Mas já é muito empregar somente pedras autênticas. MARGUERITE YOURCENAR - Apontamentos sobre as MEMÓRIAS DE ADRIANO.

Nome:
Localização: Parede, Portugal

"Todos nascemos loucos. Alguns de nós continuamos a sê-lo" - SAMUEL BECKETT - "Quem ri por último, nem sempre ri melhor. Às vezes só não entendeu a piada" - José Eugénio Soares "JÔ SOARES"

terça-feira, agosto 09, 2005

Incêndios.

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Os fogos, toda a gente os vê, muitos sofrem as suas consequências e outros, mais atentos, lá vão "tocando as sirenes"..... Só que, infelizmente, parece que já ninguém as ouve... como acontece com os alarmes dos automóveis parados à nossa porta !!!

Por isso julgo que de pouco servirá mas, de qualquer maneira, aqui deixo o "eco" do alarme lançado pelo José Gomes Ferreira...

"A indústria dos incêndios

A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.

José Gomes Ferreira
Sub-director de Informação


Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.
Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:
1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica?
Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências?
Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair?
Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis?
Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?
2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...
3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.
4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.
5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.
Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime... Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal? Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país. Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime.
Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:
1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.
2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).
3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores
4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.
5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.
6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios.
Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.
José Gomes Ferreira "

domingo, julho 31, 2005

EUROMILHÕES....

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3-19-26-49-50 e as estrelas - 4-5... Os números mágicos para 115.000.000,00 de Euros !!! Ah... pois foi!!!

Mas desta vez a taluda não saiu a um português... Tudo fazia crer que tal viesse a acontecer tendo em conta a sorte dos portugas nesta jogatana... e principalmente quando toca a jackpot's. E eu que não desdenho dos desígnios da sorte e do azar (muito embora tenha sido mais vezes contemplado por este último) também tentei mas, como de costume, nada!

Ora, já o mesmo não podem dizer uns tantos portugueses que mesmo sem terem jogado viram as suas contas bancárias engordar com euro...milhões!!! Se acrescentarmos que a instituição que lhes pagou também é uma santa casa, mais intrigante se torna. Até poderia parecer um mistério. Mas não, a guita não veio do oculto!!! Mais tarde ou mais cedo descobriríamos que saiu mesmo dos nossos bolsos..... Ah pois é!!! Por cá, quanto toca a granel e embora ás vezes pareça estranho, nada se faz à sorte, é tudo muito bem estudadinho.

Afinal, se pensaram bem já descobriram quem são os sortudos neste país das maravilhas. Claro... Viram como é fácil!
Por isso, toca a jogar esta semana no euromilhões... mas no da misericórdia, porque o da outra, é só para sócios. Quem sabe se não voltam a acertar!!!

sábado, julho 30, 2005

A raiz do Mal

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Há dias, mais concretamente no passado dia 28, a zona onde resido foi objecto de uma acção de desinfecção que mereceu o slogan:

VAMOS CORTAR O MAL PELA RAIZ, para que a sua rua fique mais bonita”.

Aplaudo vivamente a ideia que se justifica e demonstra, da parte dos responsáveis, uma certa preocupação pelo cuidado que sempre deve merecer a preservação do ambiente, logo, a melhoria de qualidade de vida dos habitantes nas zonas abrangidas e muito especialmente, numa época em que as ameaças de epidemias são agravadas pelos efeitos da seca que tem existido.

Mas ao manifestar o meu apreço pela iniciativa não deixo de pensar que talvez fosse mais eficaz, mais pedagógico e menos oneroso para o já tão desfalcado erário público, outro tipo de medidas até muito mais inteligentes, passe a imodéstia. Eu exemplifico:

a) Uma vez que a “raiz” do problema que justifica este tipo de intervenção está, em percentagem elevada, na falta de civismo e na forma egoísta ou desleixada com que a maioria das pessoas utiliza os espaços públicos, despejando para a rua e para os espaços verdes tudo o que não lhes interessa ou incomoda dentro de portas (muitas vezes também, é conveniente que se diga, porque os contentores do lixo não são os mais adequados ou porque se encontram cheios ou tombados);

b) Porque os donos dos cães de estimação – que ironia!!!, quando condenados a viver dentro de um apartamento já que esta é a construção-tipo da zona – se alheiam dos deveres a que essa sua opção obriga e deixam ficar por onde passam e para recordação dos distraídos, os dejectos que os mesmos fazem, transformando as ruas e os espaços verdes (?) em verdadeiros campo de “minas” anti-pessoais.

Porque não ter a coragem, então, de cortar o mal mesmo pela raiz nestas duas situações – que são as mais flagrantes – deitando mão ao único argumento que o português comum entende, a APLICAÇÃO DE MULTAS e que, ao mesmo tempo, pagariam só por si as despesas com as operações posteriores de desinfecção. Passo a explicar:

1 - As multas (que julgo que até já se encontram previstas para estes casos só que, como é tradição entre nós, não são para cumprir) seriam aplicáveis a todas as pessoas que, deliberadamente, contribuíssem para a imundice das ruas ou dos restantes espaços públicos. Neste domínio e para que tal pudesse resultar, bastaria que se criasse uma Linha Verde para que, na hora, os infractores pudessem ser denunciados junto das entidades competentes. Esta medida poderá parecer à primeira vista muito radical e pouco democrática quando inserida no nacional laxismo que por todo o lado impera mas, também, ninguém de bom senso duvidará – se o objectivo for o de cortar o mal pela raiz – que tal decisão seria maioritariamente aplaudida. Assim apareça alguém com a coragem que tem faltado para as pôr em prática. Abro um parêntese para reforçar, a este propósito, que na maioria das vezes que os prevaricadores são chamadas à atenção por alguém da comunidade, respondem de forma grosseira quando não mesmo insultuosa ou até ameaçadora. É a verdade!

2 - Outra medida, esta de cariz bem mais democrático mas nem por isso menos eficaz, seria a de onerar e muito, as licenças camarárias para a posse de cães de guarda (!!!), de estimação, de companhia, como lhe quiserem chamar. Perante a situação grave que se verifica quando atravessamos os campos “minados” de dejectos que os animaizinhos fazem (naturalmente) na via pública e na relva – enquanto os “guardas” ou companhias que os passeiam assobiam para o lado fingindo que não vêm – não vislumbramos outra alternativa que não seja a de “abrir os olhos a quem não quer ver”. E como já sabemos isso só se consegue se for a mesmo doer…. Aliás e a propósito de dor, para quando a criação de uma entidade (o mais certo é já existir e não me esqueço da Sociedade Protectora dos Animais) que averigúe as condições desumanas em que são mantidos esses animais de “estimação” que, na maioria dos casos não passam de condenados a prisão perpétua e à solitária, para desespero dos vizinhos que os ouvem protestar?

Sem por em causa, repito, as acções de desinfecção que entretanto forem levadas a cabo (se calhar e enquanto o panorama não se alterar, até com maior frequência) deviam pôr-se em prática as medidas que preconizo ou outras diferentes mas que consigam o mesmo alcance, isto é:

- O asseio desejável dos espaços públicos destinados a adultos e crianças;
- A demanda dos infractores;
- A defesa real dos direitos dos animais, neste caso, dos cães.

Neste caso é que, na minha opinião, se conseguiria mesmo CORTAR O MAL PELA RAIZ!!!

quarta-feira, julho 27, 2005

Água....Muita água!

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Felizmente, depois do pesadelo que temos vivido, o panorama terrível da seca em Portugal está definitivamente resolvido. Os pingos que ontem cairam foram suficientes para devolver a água que todos reclamavam e que tantos prejuizos estava a causar. Neste momento, presumo, a confiança dos agricultores alentejanos estará a atingir os níveis de optimismo que tanto se esperava e que esta benesse proporcionou. Os restantes portugueses também, em consequência dessa prenda do S. Pedro, já podem certamente tomar banho todos os dias.

Afinal já não serão precisas as ajudas da UE que todos esperavam que viesse a acontecer depois da visita que há poucos dias a Comissária Europeia fez aos locais atingidos pela seca extrema no Alentejo. E ainda bem, pois acusam-nos de viver sempre de chapéu na mão à espera dos subsídios... Bom, nem tudo é mau afinal....

Convém adiantar, porém, que esta minha conclusão resulta da notícia que hoje li... Não fui ainda, como é natural, confirmar aos respectivos locais mas tal não me parece necessário. Está escrito. Preto no branco!

Agora é "mãos à obra" para preparar os caneiros que hão-de levar a água aos nossos hermanos que precisam de regar as terras onde cultivam as hortaliças que lhes havemos de comprar. É!!!

Depois e como diz o povo: "Quem dá o que não tem, acabará a pedir"... mas, como já estamos habituados, paciência!

terça-feira, julho 26, 2005

FÉRIAS À CHUVA...

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O tempo, seguindo o rumo de outras componentes da vida quotidiana dos portugueses, prepara-se também para pregar uma partida aos que estão para ir de férias. É que, a fazer fé no serviço de meteorologia... vem aí chuva!

Mas até arriscaria a garantir que, apesar de não deixar de ser uma contrariedade, a generalidade dos veraneantes não se importaria se a mesma conseguisse trazer algum optimismo para o estado de seca (em todos os sectores) que se vive no país e que a todos nós afecta, directa ou indirectamente. Esse sacrifício ou o desconsolo, como preferirem, valeria a pena… é a minha convicção.

Já o mesmo não posso dizer, malheureusement, de outras “chuvas” que se anunciam. E digo-o em resultado da passagem rápida que fiz pelas gordas dos jornais de hoje e que confirmam o que já se previa, isto é, que as consequências da teimosia de alguns ministros do governo da república, mais precisamente, do nosso primeiro e dos responsáveis pela economia, pelas obras públicas e pelas finanças (neste caso, o actual, porque o anterior por não concordar já bateu com a porta quando se foi embora) podem vir a estragar as férias de todos os portugueses. E o mais grave é que não serão apenas as deste ano mas, também, dos que aí virão… E ainda, pior que tudo, é que não é só para os que habitualmente vão a banhos mas também para os que têm que ficar em casa a fazer biscates suplementares – para não perderem o ritmo – nesse período que deveria ser reservado ao descanso!

Mas o melhor é levantar o véu e, por isso mesmo, vamos lá por partes:

OTA e TGV vão sair caros.
A construção do aeroporto da Ota e o alargamento da linha-férrea ao comboio de alta velocidade (TGV), cujo investimento global rondará cerca de 20 milhões de euros, poderão custar a cada português cerca de dois mil euros.”

Colapso na gestão do Serviço de Saúde.
Venda de medicamentos sem controlo de consumo, anulação manual de facturas sem notas de débito, despesas que não são efectuadas na contabilidade e a existência de um sistema informático obsoleto que nem sequer permite a confidencialidade são algumas das anomalias detectadas por uma auditoria pelo Tribunal de Contas (TC) a diversas instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS).”

Estado do Sítio – Era uma vez um País...
Este sítio muito mal frequentado, em estado de pré-falência e sem qualquer futuro digno à vista, assistiu impávido e sereno ao despejo de um economista credível, sério e com ideias próprias para tentar travar e diminuir o imoral despesismo do Estado. O pecado de Campos e Cunha foi ter pensado que o engenheiro José Sócrates era uma pessoa fiável, séria e determinada a combater a lógica criminosa da partidocracia lusitana. O ex-ministro das Finanças ainda demorou quatro meses a perceber que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional, o tal que serve de pretexto à classe política para manter um Estado monstruoso, obter prebendas e mordomias escandalosas à conta dos impostos cobrados aos cidadãos, manter posições accionistas em inúmeras empresas e fazer megalómanos investimentos públicos, que servem essencialmente para alimentar grupos nacionais sem capacidade de concorrer no mercado global e encher os cofres dos partidos dominantes em percentagens que variam em função de estarem no poder ou na oposição.
Campos e Cunha foi o
kleenex de Sócrates. Usou-o e atirou-o para o lixo. Tudo em quatro meses. Os comentadores do costume acharam perfeitamente natural o despedimento, acusaram o ex-ministro de não ser um político – leia-se aldrabão, troca-tintas, demagogo – e passaram rapidamente a elogiar o seu sucessor, esse sim muito mais próximo do PS, um homem de consensos, sem reformas milionárias, que perde milhões no Governo e, talvez por isso, andava doido para ser ministro, com ofertas públicas de venda a preços irrecusáveis pelo mercado político e mediático lusitano”.

Fátima volta a Felgueiras.
Fátima Felgueiras anuncia a 4 de Agosto a recandidatura à Câmara de Felgueiras e o regresso a Portugal, disse fonte do movimento de apoio à autarca. Uma fonte do movimento "Sempre Presente – Fátima Felgueiras a presidente" adiantou à Lusa que o anúncio deverá ser feito em conferência de imprensa no Rio de Janeiro, onde está desde 2003, para escapar à prisão preventiva devido ao processo do "saco azul". A mesma fonte garantiu que "está terminada a recolha de assinaturas" para a recandidatura e que Felgueiras "regressará a Portugal para difundir a mensagem e enfrentar o julgamento agendado para 11 de Outubro".

13 milhões contra papel na justiça.
"O Ministério da Justiça vai investir 13 milhões de euros para acabar com a imagem impressionante dos grossos volumes de papel cosido que ilustram a morosidade nos tribunais e demais serviços judiciários" - Eu acrescento que a notícia não estima quantos mais milhões irão ser necessários para acabar com as restantes imagens impressionantes que a nossa justiça ilustra.

E por aí adiante…. blablabla, como na gíria seria comum dizer-se se a situação não fosse séria e grave. Muito grave!

De facto, pela realidade que se consegue descobrir (sim, porque tudo indica que haverá muito mais surpresas debaixo dos tapetes) teremos garantido outro tipo de chuvadas … e das ácidas!!!

Para que as conseguíssemos prevenir adequadamente e na minha modesta opinião, o ideal seria que depois das férias e quando fossemos dar o nosso aval nos actos eleitorais que se anunciam, puséssemos cobro à leviandade que temos vindo a cometer sistematicamente e que é, a da escolha que fazemos dos responsáveis por todos os nossos males (dos que, mais tarde, nos queixamos) e que são os políticos que nos têm desgovernado. É por isso que deveremos assumir ao mesmo tempo, sem reservas nem ambiguidades nem falsas desculpas que somos, por essa razão, os principais geradores dos vírus das doenças que nos atormentam…

A solução (ou o remédio) até parece simples mas a realidade é bem diferente… Muito diferente, reconheço, ainda mais se considerarmos que nos faltam no mercado os antídotos que precisaríamos para a cura que, tão urgentemente, reclamamos. Não devemos no entanto desmoralizar pois há sempre cuidados ou paliativos que se podem tomar. Por isso mesmo e para terminar, aconselho por exemplo que cada um de nós – por si só e o mais imune possível a toda a poluição que em seu redor vai certamente aparecer – procure encontrar, nas consultas que aí vêm, a solução que achar mais adequada à sua situação endémica. Se mesmo assim houver razões para depois todos nos continuarmos a queixar, fá-lo-emos, sempre... até que a voz nos doa.

Afinal, não é mesmo esse o nosso fado???

segunda-feira, julho 25, 2005

Sai mais um referendo?

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(Cena no Bar, Chão-da-Lagoa, na República das Bananas):

Pergunta do solícito barman:

- Deseja que lhe traga o 'referendo' da autonomia?

Resposta agastada do mestre da escola de samba:

- Qual referendo, qual autonomia, qual quê!!! Saia mas é a Independência e... ali para para a mesa do nosso presidente!!! Olhe, e já agora... Traga também (mas embrulhados) uns amendoins para mandar à macacada do cótinente....."

- OBRIGAAADOOOOO!!!.... Ouve-se (em eco) vindo d'algures do outro lado do Atlântico.

domingo, julho 24, 2005

A "Nova VAGA".....

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Ainda tinha fresca na memória a crónica do Baptista Bastos que registei no post anterior e eis que ouço o estrondo da última notícia sobre presidenciáveis.....

Estupefacto, telefonei a alguns amigos, normalmente bem informados, que me garantiram que a NOVA VAGA tem pernas para andar e já conta com o apoio do grande mestre do GOL (Grupo Oriental Lisboeta)... Dizem até que esta geriátrica candidatura será um bom anestésico para o alívio das dores causadas pelas medidas que o governo tomou para aumentar a idade para as reformas. E vão mais longe: O hino da respectiva campanha, segundo parece, terá o título: "Toca a trabalhar, velhinho!" ... ou outra coisa assim no género. A música será um arranjo do João Maria Todo-dela (no activo) com letra do poeta (também no activo) Manuel Alegrete que por sua vez darão fundo ao vídeo que o cineasta (super-activo) Manoel d'Oliveirinha já está a preparar... A coreografia em palco nos respectivos comícios (segundo dizem) ficará a cargo da "socia...light" Lily Vaineças. Desta vez e à cautela, a direcção do partido não brincou em serviço e resolveu aplicar todo o cuidado e capacidade imaginativa na escolha dos autores dos audio-visuais para que a coisa não volte a desCarrilhar.

Tudo isto me parecia surreal e inacreditável, mas era o que eu julgava!!! Sim, porque ainda não estava refeito do susto, desculpem, do espanto, já me chegavam aos ouvidos os ecos dos discursos (será assim que se deve chamar?) do AJJ na festa do Chão da Lagoa!!!! Afinal tive que considerar que as profecias dos meus amigos (e do Baptista Bastos na crónica que me lembrei de postar aqui no meu diário) têm justificação...

E a razão é porque somos, de facto, um povo mesmo adormecido! Se assim não fosse, como seriam possíveis tais aberrações?

Os mais desenvolvidos de África!!!

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Para poder reler de quando em quando – para me avivar a memória - respigo para o meu diário a crónica do Baptista Bastos que li no JORNAL DE NEGÓCIOS de 22/07/2005.

«A terra [Portugal] é pequena, e a gente que nela vive também não é grande»
Almeida Garret


“Em 1957, o grande escritor francês Roger Vailland publicou, na Gallimard, o romance «La Loi». É um texto menor, no conjunto de uma obra significativa que influenciou, em Portugal, autores como Augusto Abelaira, José Cardoso Pires e António Alçada Baptista. Em «La Loi», Vailland, na voz de uma personagem, Dom Cesare, criou um qualificativo, «portugalizar», que nos reduzia a subnitrato. O francês estivera três vezes em Portugal, as duas primeiras em reportagem; a terceira como membro da Resistência à ocupação da França pelos exércitos de Hitler.
A história desta última estada no nosso país é um momento fascinante e pouco conhecido da história das fraternidades cimentadas durante a luta contra o nazi-fascismo. Parte dela contei-a no «Diário Popular», jornal onde então trabalhava.
Vailland, enviado de De Gaulle, estabelecera contactos com Cândido de Oliveira, Vasco da Gama Fernandes e José de Freitas (estes dois últimos confirmaram-mos), a fim de se estudar a possibilidade da organização de uma rede de combate armado à previsível invasão da Península pelas tropas nazis. Aliás, Franco, à revelia de Salazar, afirmara a Hitler a submissão da Ibéria.
O verbo portugalizar falava de um país adornado, no qual os jornalistas não faziam jornais, os escritores não escreviam livros, os políticos não exerciam – enfim: um povo que o não era. Portugalizar constituía a anestesia geral de um corpo enfermo de mal endémico. Uma informe massa, indolente, resignada, trágica, inactiva, embalada por um passado de glória duvidosa, que não cuidava de si nem do futuro de todos.
O paralelismo comparativo com o que hoje ocorre na nossa terra é terrível, por evidente. Políticos de baixo estofo que gerem o destino da pátria; deputados que somente ambicionam cumprir dois mandatos para auferirem avultadas reformas; direcções de jornais que, ainda não há muitos anos, apenas serviriam para atender os telefonemas; escritores pedâneos que gozam dos benefícios de marquetingues insultuosos à inteligência ainda livre; entrevistadores de televisão que revelam o grau zero das meninges e uma impante e desavergonhada ignorância; empresários analfabetos inabilitados para administrar empresas dependentes dos favores do Estado, e que lançam para o desemprego milhares de pessoas. No meio desta desgraça, os partidos constituem agências de empregos, assegurados a todos aqueles de dizem «sim».
A situação não é só grave em termos de economia; é gravíssima na relação moral e ética das exigências públicas e privadas.
Estou convencido de que corresponde a uma estratégia muito bem pensada, na qual o laxismo provocado é uma componente fundamental. Estariam criadas as condições para um golpe de Estado, semelhante ao de 1926.
Todavia, não há Exército, as multinacionais não estão, de momento, interessadas, e a União Europeia não deixa. A União está periclitante, as multinacionais existem do lucro pelo lucro, e a tropa pode reorganizar-se, desde que os grandes grupos, sobretudo financeiros, assim o entendam.
Um país onde um futebolista, Miguel, e seu contrato dominam os noticiários televisivos, e suscitam graves comentários de austeros comentadores, é um país irremediavelmente condenado à farsa. Contudo, estas «prioridades» noticiosas não são inocentes. O fundamental trocado pelo dispensável tornou-se numa prática banalizada pela insistência. Neste caso, a insistência cloroformiza até à narcose. Portugal existe entre o adormecimento e a imbecilização.
Ouvimos os discursos dos dirigentes políticos e não acreditamos. Lemos os editoriais dos principais diários e somos levados a crer que respiramos em outro país. Assistimos ao programa «Um Contra Todos» e, não fora o Malato (cuja jovialidade, cultura e informação merecem a nossa simpatia e a nossa admiração), os participantes, quase todos, fundamentam a singular ideia de que representam uma galeria de matóides, alguns deles com formação académica.
Pedem-nos «esforços colectivos», «patrióticos envolvimentos», aqueles que auferem salários volumosos, ao mesmo tempo que declamam a necessidade de baixar os ordenados e aumentar os impostos – aos outros, bem entendido.
Estamos, outra vez, portugalizados. Lenta e perseverantemente vão-nos roubando tudo; sobretudo, os sonhos e as esperanças.
Portugal é uma deriva de governo para governo, de mentira em mentira, e começa a ser um aditamento insignificante e hílare da Europa. Não é por acaso que os franceses residentes na Mauritânia dizem que Portugal é o país mais desenvolvido de África”.

sábado, julho 23, 2005

Não havia festa nem festança....

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Tempos houve em que António Vitorino, ex-ministro, ex-comisssário europeu, ex-candidato a presidente do partido, ex-salvador da Pátria, ex-sempre-qualquer-coisa, mas actual comentador de TV e, simultaneamente, destacado membro do Partido Socialista, onde é mais conhecido pelo D. Constança, (cognome que ele próprio se encarregou de criar muito provavelmente para fazer esquecer o de D. Sebastião que alguns dos seus correligionários mais sonhadores se apressaram a sugerir quando estavam no Registo) afinal e a fazer fé nas suas últimas declarações, não estará presente na festa do baptizado dos “gémeos” que o governo pensa gerar ainda nesta legislatura - renegando as tradições da sua inspiradora e, até então, omnipresente dama. Referimo-nos aos anunciados, promissores e desejados (não se sabe é para quem e para quê) rebentos, já chamados de OTA e TGV… Segundo as mesmas fontes «ele acha mais interessante o concurso das eólicas»!!! Para mim, interessante, interessante é o concurso das "misses"... mas enfim, ele lá saberá!!!


E tudo isto consta em declarações recentes onde o D. Constança se manifesta contrário à ideia gastadora do governo e denuncia a sua simpatia pelas eólicas:
- “Nããã… sr. primeiro-ministro”, diz ele à cautela, "em tempos de crise nada de aumentar o número de bocas na imprensa!!! Há sim que gerar ventos para levar o barco a bom porto".

Este seu desabafo, segundo os tradicionais oposicionistas do regime e depois de traduzido para linguagem política, quererá dizer:

- Nããã... camarada, não estamos em condições de continuar a dar mais tiros nos pés depois daquela bazucada dos impostos (arrisco até a admitir, mas só a admitir, que eles já terão ficado mesmo sem pés!!!) e depois de eu próprio ter marcado a cadência dos próprios jornalistas!!! Já não se lembram do aviso que lhes deixei? - Habituem-se!!!

É perante isto que, ao certo ao certo, nunca ninguém sabe o que lhe passa pela cabeça mas que tem procurado, em bicos de pés, fazer-se ouvir, … lá isso é verdade.

Ou será que só lança estas achas para ver se consegue queimar o nosso primeiro nos crematórios incineradores - que também estão nos desígnios geradores deste governo logo a seguir aos gémeos - para depois poder aparelhar-se (em altura) com o presidente do maior partido da oposição?

Essa é mais uma hipótese a que todos nós, provavelmente mais cedo do que se esperava, também teremos de nos habituar!!!

"Never say never" ... diz o profeta, perdão, o professor!



sexta-feira, julho 22, 2005

A GALPada...

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Não é a primeira vez que registo aqui no meu diário notas bizarras da grande empresa pública que é a GALP. Lembro-me de uma recente e a propósito de um gestor que aceitou reduzir para metade o seu salário só para lá poder trabalhar! Mas há mais, só que neste momento a minha memória não me ajuda a repescá-las. Se fosse necessário procurá-las-ia, mas não é preciso. A revista SÁBADO de que sou leitor assíduo facilita-me essa tarefa pois o Ferreira Fernandes traz à luz do dia mais uma invulgar Galpada (como sem humor lhe chamo) desta verdadeira e prodigiosa Caixa de Pandora.

Com a devida vénia, respigo alguns extractos da sua Crónica – mas só para suporte das terríveis dúvidas e dificuldades com que me defronto e com que, no actual contexto, a maioria dos trabalhadores portugueses vai procurando sobreviver – e que não substituem, de forma alguma, a leitura obrigatória de mais uma oportuna crítica… Das muitas que este jornalista e esta Revista já nos habituaram. A não perder, portanto, a sua leitura completa na própria revista pois descobrirão, no final, que se justificará plenamente o investimento que fizerem.

In: A mania de indemnização – Por: Ferreira Fernandesin: Revista SABADO nº 64 – OpiniãoPág. 130.

Esta semana, uma campanha nos jornais, de que não ficou a saber-se o que pretendia – além de ser contra António Mexia, ex-ministro –, revelou alguns costumes bizarros nas administrações de empresas portuguesas mais ou menos públicas.

(…)

Soube-se, na polémica desta semana, que um quadro superior foi contratado para a Galp (empresa de capitais maioritariamente públicos, quer dizer, onde eu sou o maior accionista, embora pouco ouvido). Ao que parece, a procura de bons quadros superiores é muito competitiva e há que conquistá-los: uma das maneiras é oferecer anos de antiguidade.
Geralmente, para uma pessoa ter cinco, dez ou treze anos de antiguidade precisa de trabalhar, respectivamente, cinco, dez ou treze anos na empresa. É assim porque “antiguidade” quer dizer o que quer. Ora, a semântica do engate de quadros superiores não é essa. Daí que o nosso quadro tenha entrado na Galp, logo no seu primeiro diazinho de trabalho, com o peso de década e meia de empresa.

(…)

Tínhamos, assim, na Galp (relembro: empresa mais ou menos de todos nós), em 2002, um quadro superior do caraças. Boa! Em 2003, ele ainda lá estava. Boa! Guardar bons profissionais é uma virtude. Bendita administração da Galp que sabia cuidar dos interesses mais ou menos de todos nós.
Ora o que me revelou tal polémica desta semana é que o quadro superior – tão bom que valeu a pena dar-lhe à partida, 15 anos de antiguidade – em 2004 se
foi embora. Oh que decepção… Como é que não se soube guardar tamanha preciosidade?

(…)

Acontece porém (e agora vou entrar no tal facto extraordinário que a polémica revelou), acontece, porém, que o quadro superior recebeu ao ir-se embora, ao fim de dois anos de trabalho, 290 mil euros de indemnização (perto de 60 mil contos). Indemni...quê?

(...)

Aliás, do ponto de vista prático, não foi o que aconteceu: ele não foi despedido, saiu da Galp para ir para a Refer, outra empresa de capitais públicos. Então, a que título indemnizá-lo quando, como é claro, ele é que decidiu ir-se embora?
Essa pergunta é ingénua. Ele foi indemnizado porque quem lhe pagou não pagou com dinheiro de patrão, mas com o dinheiro de todos nós. Os administradores que lhe pagaram não foi com generosidade, foi com cobiça a prazo. Ao pagar, mantiveram vivo o hábito nacional da indemnização. Um abuso de que, mais tarde ou mais cedo, também virão a beneficiar”.


Esta é a conclusão pertinente e desassombrada (como é seu timbre) do Ferreira Fernandes.

Mas eu - que como ele também sou accionista “afónico” da Galp - gostaria de acrescentar o seguinte:

- Quem é (ou são) o verdadeiro responsável por esta verdadeira afronta aos restantes trabalhadores da Galp que serão centenas, mais provavelmente milhares? Não sei, mas o número é o que menos importa... Nem que fosse só mais um!
- Quem consegue justificar esta, repito, AFRONTA aos portugueses que viram recentemente, num piscar de olhos, as suas legítimas aspirações de descanso no fim de uma vida de trabalho, legalmente contratualizada, ser atirada para as calendas pelas decisões do nosso governo?
- Quem suporta os rombos destas Galpadas? O sistema da Segurança Social que todos dizem estar em ruptura eminente e, por isso, justifica mais contribuições através do aumento do prazo para se poder adquirir o direito à reforma?
- Será, outra vez, o Fundo de Pensões dos empregados da Caixa Geral de Depósitos ou já terão descoberto, entretanto, outra “mina”?
- Que papel tem desempenhado a nossa sociedade em geral ao assistir (com esporádicos resmungos de uns tantos) a todo este desaforo? Assobia e olha para o lado porque o “seu” está garantido?
- Onde está o poder “vigilante” e “moralizador” do nosso presidente que, a propósito destas e outras denúncias, se tem remetido ao mais conveniente silêncio?
- E o que dizer aos trabalhadores que nem sequer reforma terão por “falência” das empresas onde trabalharam e que eram geridas por administradores incompetentes (e fico-me por aqui) que provavelmente estudaram pela mesma “faculdade” dos da Galp?
- Ainda há dias, creio que dois, aqui fazíamos eco da notícia acerca da AUTOCONSTÂNCIO… a leasing do Banco de Portugal responsável pela segurança, conforto e bem-estar dos seus administradores… Formidável país à sombra do qual se vive assim!!!
- Depois e apesar da gritaria do maior partido da oposição (que até é, por sinal, um dos “pais das crianças”), o respectivo ministro não tardará (embora para além dos normais nove meses) a anunciar o nascimento de dois gémeos: um que se chamará OTA e outro TGV que, mesmo antes de serem crescidinhos, já terão ajudado a contribuir para a ruína da economia nacional, como manda a tradição!

É neste cenário que o INE (que à semelhança do que me acontece com o Euromilhões também nunca acerta nos números) certamente e para não correr o risco de perder a corrida, se encherá de brio e acabará por provar que no ano 2015 o país já terá tantos administradores como administrados, ou seja, que com mais ou menos indemnizações, este governo (ou o que vier a seguir) conseguirá cumprir a promessa de criar milhares (milhões) de postos de trabalho… de administradores, claro. E o que é pior, com a cobiça de poderem vir a ser também indemnizados, evidentemente!!!

Termino, apesar de tudo, com alguma esperança e com um apelo:
- Por favor, nem que seja só por uma vez tenhamos a coragem de gritar a uma só voz. SOCORRO ... CHAMEM A POLÍCIA.

quarta-feira, julho 20, 2005

A dança das cadeiras...

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Minhas Senhoras e meus Senhores ...

Acaba de ser anunciado (embora fora do calendário habitual) o início do saison teatral com a representação da famosa peça: A DANÇA DAS CADEIRAS.... Entretanto os habituais críticos do teatro já prevêm que logo, logo a seguir, suba ao palco outro estrondoso êxito: O SENHOR QUE SE SEGUE..
Aproveitem e adquiram já os bilhetes para toda a época porque, a partir deste momento, começaram os SALDOS DE VERÃO...

Mudam-se os tempos mas continuam os chauffeurs..

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Depois de ter lido, por mero acaso, um jornal atrasado no consultório do dentista onde estive hoje, não me ocorreu outro titulo mais adequado e actual para a história verídica que, por isso mesmo, agora e aqui registo para memória futura:

Apesar de já ter sido há muito tempo lembro-me perfeitamente de um cavalheiro (na verdadeira acepção da palavra) e da sua família que durante o mês de Agosto passavam férias numa moradia que possuíam na minha terra, isto no tempo da outra senhora, esclareça-se.

Eram pessoas importantes e conhecidas aqui na capital (naquele tempo ainda não era usado o termo figura pública, muito menos jet-set) e que não dispensavam um homenzinho, o Sr. António que, como seu chauffeur e devidamente uniformizado, lhes abria e fechava a porta (sempre com muita dignidade e cerimónia) do luzidio automóvel em que se faziam deslocar. Um verdadeiro luxo para a época e penso que de marca LA SALLE se a memória não me falha, neste pormenor. Era então rapazote mas aquelas cenas nunca desapareceram da minha memória assim como o aroma que sempre deixavam para trás, como rasto, quando passeavam pelas ruas lá da vila. Era um agradável e inebriante odor que resultava da mistura de uma fragrância rara (pelo menos para mim durante o resto do ano) com o cheiro característico de gasolina mal queimada do seu luxuoso espada. Recordações vivas que guardo desse tempo já longínquo.
Ah, e havia também uma moça da minha idade muito bonita que sempre os acompanhava, penso que sobrinha, a quem eu, sempre que podia, falava! Mas isso é outra história…

A cena do cerimonial do chauffeur é que me interessa agora registar porque, curiosamente, revejo-a ao vivo quase todos os dias apesar de já terem passado algumas décadas. Só que com algumas diferenças! Os Srs. Antónios de hoje não têm de usar a mesma farda cinzenta e comprida como uma gabardina com a gola azul escura subida (e ainda bem) porque esses costumes, entretanto, também se democratizaram. Mas é só pelo modelo da farda que se fica a democracia actual… Estranhamente, ou tal vez não, os importantes cavalheiros que esses dedicados profissionais de hoje continuam a servir, são agora muito mais exigentes. E isso nota-se, por exemplo, na “pose” que assumem ao viajar, em regra, no banco traseiro e quase sempre com o nariz enfiado num jornal ou em qualquer pseudo-relatório, para disfarçar. Depois há ainda outros rituais que adoptam - quase “tiques” - e que os ajudam a marcar a diferença ou para confundir o pagode que lhes sustenta as mordomias. Tudo pormenores menores mas que não se notavam, em nenhuma circunstância, no cavalheiro que lá na vila e no antigamente passeava os seus “luxos” durante o mês de Agosto que estava entre nós e, segundo o que era conhecido e o Sr. António confirmava, à custa da sua fortuna pessoal…

Ora, o que me foi dado observar ontem – quando esperava o meu filho que tinha ido à faculdade entregar um trabalho – confirma o que atrás registei. Vi sair, pela porta principal e em grande estilo, um conhecido deputado da nossa praça que cá fora já tinha à sua espera um Mercedes topo de gama com um fiel servidor perfilado, com a porta aberta e com um casaco de malha na mão para que a excelência o pudesse trocar pelo que trazia vestido!!! O pormenor do casaco só podia ser para lhe minorar os efeitos do ar refrigerado de que dispunha dentro do carro pois, cá fora, a canícula que se sentia era enorme … Depois, depois lá seguiram: O chauffeur com a respectiva excelência a ler no banco traseiro sem que, pelo menos por uma vez, levantasse os olhos do papel. Exactamente assim….

É caso para desabafar: como estão longe os tempos em que estes “ilustres cavalheiros” e outros menos ilustres, se sentavam democraticamente no banco dianteiro das viaturas que utilizavam, em mangas de camisa desabotoada… Mas também, em abono da verdade, foi só por um período curto, logo… logo a seguir ao 25 de Abril, evidentemente…

E esta cena – já vista vezes sem conta com tantos tipos diferentes de personagens – para além de me avivar recordações longínquas, dá também corpo a uma das dúvidas que há muito me acompanhava e que ultimamente se tinha transformado num autêntico quebra-cabeças. É que não conseguia descobrir uma (sim, eu já só precisava de uma) razão que me ajudasse a compreender o fenómeno da existência de tantas excelências como esta e de outros fenómenos não menos extravagantes – em arrepio absoluto à situação geral do nosso país – muito especialmente a partir do momento em que os sinais de recessão se tornaram infernizantes para a maioria dos portugueses e que deu azo a que o governo, diligentemente, se apressasse a aumentar e a criar mais impostos, a garantir (?) firmes propósitos de redução da despesa pública, a remeter para as calendas a idade das reformas, a manifestar desígnios (?) de combate às regalias dos políticos e dos gestores de empresas públicas, ao défice e às fraudes fiscais e… etc., etc! Tudo numa só penada!

É de facto verdade que achava esta situação muito estranha, ou melhor, algo me dizia que a razão que a justificava só podia ser por obra e arte de um verdadeiro milagre. E até admitia que esse “pressentimento” não fosse exclusivamente meu pensando que muitos outros que por aí circulam ou simplesmente ‘olham à sua volta’ certamente deviam sentir o mesmo. Não podia ser de outra forma e que a sua estupefacção e deslumbramento seriam equiparados aos sentimentos que não deixavam de me intrigar. Só que, tenho de o reconhecer, por mais que me esforçasse não conseguia explicar esse fenómeno estranho.

Hoje, porém, e quem sabe se para me compensar o sacrifício doloroso da ida ao dentista, fez-se luz no meu espírito ao ler, por acaso, o semanário atrasado que repousava na respectiva sala de espera. A desejada resposta – pelo menos para uma das minhas dúvidas – lá estava à frente dos meus olhos, descarada e escarrapachada em letra gorda:

“AUTOCONSTÂNCIO

O Banco de Portugal gastou 1,2 milhões de euros em carros de luxo no último ano e meio. Vitor Constâncio escolheu um BMW topo de gama entre os BMW, AUDI, MERCEDES e JAGUAR encomendados. A pedido dos utilizadores, os bólides vieram com diversos extras: sistema de navegação profissional, estofos de pele, jantes com raios duplos, acabamentos de madeira, espelhos aquecidos e bússola digital. E ao fim de três anos podem ficar com os automóveis por dez por cento do valor da aquisição… etc.”

In: Jornal O INDEPENDENTEEdição nº 896 de Sexta-feira, 15 de Julho de 2005.

Afinal a vida faustosa que por entre nós se pavoneia através da miríade de espadas topo de gama, cada vez mais caras e espampanantes com os seus leais chauffeurs, só para dar um exemplo, têm aqui e em grande percentagem as suas raízes. Sim, porque pelo “exemplo” que dá este guardião do templo, fiscal permanente das contas públicas e, cumulativamente, profeta anunciador de todas as nossas desgraças, não há mais lugar para dúvidas. Só nos restam mesmo as certezas de que as esperanças, ainda alimentadas por alguns sonhadores, irão todas e rapidamente, pelo cano abaixo.

É precisamente por estes casos que o povo, com a sua sabedoria, costuma dizer: FARTAI VILANAGEM!!! enquanto os filósofos pensadores como o autor da citação de hoje, preferem, no fundo da sua inesgotável imaginação e angélica sabedoria, dizer: "A crítica é o imposto que a inveja cobra ao mérito" - Duque de Lévis. Eu, como membro do Clube Nacional de Invejosos, escolho naturalmente a primeira até porque, nestes casos, não consigo descobrir onde está o mérito!

Mas voltando à notícia, o que curioso é que comigo – depois do espanto inicial – a mesma deu lugar a uma estranha e perigosa sensação de tranquilidade, ou seja, consegui "descansar" ao descobrir que, afinal, uma parte importante do mistério que me apoquentava não era resultado de nenhum milagre. Emanava, isso sim e claramente, da “obra e arte” de alguns mortais como eu, só que muito mais descarados e sortudos e, pela amostra, já com o paraíso a seus pés!

Tanta preocupação, afinal, por coisas tão simples quanto isso...

segunda-feira, julho 18, 2005

A novela...

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Está a ser frenéticamente procurado, por todos os meios de comunicação social, um furo sobre a nova novela nacional (se não for mesmo mundial) de que só se conhece o título mas que já é um sucesso: ÁGUIA COM TIROS NA ASA.

Em rigoroso exclusivo vamos agora dar a conhecer os primeiros passes, perdão, episódios, dessa fantástica e riquíssima produção:

1º Episódio:
No início da temporada futebolística que se previa calma e prometedora para o voo de uma gloriosa Águia, parece – pelo que se conseguiu descobrir pelas primeiras cenas – que as coisas não lhe irão correr da melhor maneira. Primeiro, por culpa de um avozinho trapalhoni que, com saudades da família a viver em Itália, resolve abandonar a gaiola e montar casa em Estugarda. Mas mais emocionante ainda! Para assinalar esse verdadeiro off-side o velhadas traiçoeiro ainda teve a desfaçatez de tomasson um copo nas barbas da triste Águia abandonada… Afinal e como em todas as histórias, havia outro e neste caso também e pelos vistos, a família pode esperar!!!

2º Episódio:
Mais recentemente e em resultado de um espirituoso Ferreirinha (que não o famoso vinho Duriense) Miguelito, o actor que se encontrava a ensaiar há três anos consecutivos nos estúdios da Catedral), resolve também ir fazer um casting para outra estação acabando, intempestivamente e com tiques de leão, o período experimental que fazia nos estúdios onde cresceu…

3º Episódio:
Embora o guião ainda esteja na fase de esboço, já se fazem apostas sobre quem é a próxima vítima desta trama verdadeiramente emocionante... E a fazer fé nas fontes normalmente bem informadas mas que por recearem represálias pediram o anonimato, estamos em condições de garantir que a vítima será a própria Águia e que o drama está a ser ensaiado, meticulosamente e sob o maior secretismo, num dos estúdios da concorrência … lá para os lados de Alvalade…

Intervalo para o bloco publicitário…
É caso para garantir portanto e como se previa de início, que esta novela vai ser um verdadeiro sucesso (não saia por isso do seu lugar) com final digno de um derby cujo final, desta vez e garantidamente, não será influenciado por nenhuma espécie de gang mas, antes pelo contrário, por um democrático referendo cuja data, no entanto, só será marcada para depois das autárquicas com vista a não influenciar a votação de candidatos que possam ser também, eventualmente, críticos de novelas... À cautela!!!

Aguarde por isso (e sentado) o desvendar dos próximos episódios, aqui… No seu canal preferido!



domingo, julho 17, 2005

O GESTO PATRIÓTICO.

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Ontem, num programa de televisão, um comentador francês preconizava o colapso da economia do seu país - e não só - se não se conseguirem alterar os indícies de produtividade dos países em desenvolvimento ou industrializados. Esse importante e decisivo objectivo, acrescentava, só se alcançará se vierem a ter êxito as plataformas de negociação - nomeadamente no campo laboral - que permitam implementar medidas corajosas mas necessárias para a inversão do panorama actual da economia europeia. O mesmo será dizer que não é mais possível continuar a esperar, muito menos exigir, aumentos de salários (por exemplo) mantendo ao mesmo tempo os actuais níveis de produtividade que resultam, em larga medida, dos reduzidos horários de trabalho que na França (e na maioria dos paises da UE), se praticam.
Em suma, os governantes, os empresários e os respectivos trabalhadores têm que procurar produzir muito mais valor acrescentado, única via para o equilíbrio das respectivas balanças de transacções e para esbater os efeitos da abertura dos mercados à globalização e a outras dificuldades que emanam: da forte dependência das cada vez mais caras matérias-primas; dos recursos energéticos cada vez mais escassos; da redução e instabilidade na procura dos produtos europeus progressivamente em perda com os que chegam de países onde o salário mensal dos trabalhadores é equivalente à remuneração diária dos que trabalham na Europa, isto só para dar alguns exemplos.
É por isso que segundo ele, repito, se não se adoptarem rapidamente medidas que invertam esta tendência o colapso europeu, é inevitável… E as que apresentou para que tal não venha a acontecer são as que, por exemplo, a Alemanha já ensaia. Por lá, os empresários já se vêm obrigados a colocar um dilema aos seus trabalhadores: Ou se consegue subir o nível de produção através do aumento do horário de trabalho (o comentador a este propósito acrescenta que há muito que deixou de ser realista o slogan das 35 horas semanais e as quatro ou cinco semanas de férias) ou terão de deslocar as suas unidades produtivas para os países onde os custos de produção são significativamente diferentes. E para quem anda afastado destas realidades ou desconhece o que de facto se passa também nas economias mais desenvolvidas ele citou o exemplo dos EUA onde as condições de trabalho são bem mais duras e não só para as operadoras das caixas dos super-mercados! Para o comprovar ele refere os casos, cada vez mais frequentes, de executivos que imigram para a Europa na esperança de poderem ter melhores e menos esgotantes condições de vida. Na mesma peça, entrevistaram uma executiva americana que trocou o seu país pela França para poder ter quatro semanas de férias por ano (!!!) e poder durante esse período desligar os telefones e não ter de consultar, permanentemente, os e-mail’s o que, segundo ela, é impensável acontecer nos EUA, país onde até então trabalhou!

Bom…. Depois de ouvir a entrevista dei comigo a pensar como gostaria de ter conhecimentos que conseguissem tirar-me da angústia em que me encontro. E este estado de alma nem é tanto pelo quadro pessimista que o comentador francês tinha acabado de traçar – pois já o pressentia há muito – mas, principalmente (desconfiança minha) por não conseguir entender a razão porque apesar do buraco em que o nosso país se encontra a grande maioria dos portugueses ainda se perde e esgota nas lamúrias dos baixos salários; das péssimas condições de acesso ao trabalho e das horas que perdem nos transportes; dos aumentos constantes do custo de vida; do aumento do IVA e congéneres; do disparar do desemprego; dos aumentos quase diários da gasolina; dos encerramentos sistemáticos de empresas que procuram novos paraísos; da retirada dos direitos adquiridos aos funcionários públicos e afins, etc. etc. etc.

Sinceramente! Por muito que me esforce não entendo onde está a dificuldade de - uma vez por todas e sem ter de esperar pelos efeitos dos choques tecnológicos já prometidos - todos os portugueses seguirem o exemplo ou o gesto patriótico, para ser mais justo, deste trabalhador!!! Sim… porque se todos fizessem como ele, a crise desapareceria, as empresas floresceriam e, num esfregar de olho, o paraíso terrestre instalava-se, definitivamente, entre nós. Depois era só esperar que a velha Europoa copiasse o modelo.

Só que, no final, restam-me umas dúvidas - cá está a malfadada sorte de ser português, sempre com dúvidas - e que são as seguintes:
- Como se poderá dividir para metade o ordenado dos que já não conseguem sobreviver com o que têm (e que, só para nosso azar, é a maioria);
- Quem são os responsáveis pela política salarial (!!!) na GALP dos antecessores deste grande patriota e benemérito?

O mais certo é serem os que - neste preciso momento - estão a aplicar os mesmos critérios numa outra qualquer empresa pública. É por norma o castigo que, por cá e sem excepções, se aplica aos bons gestores.

Concluindo e como diz o Zé Pagode: - "Por cá, continuam a mudar as moscas".

Terríveis e, afinal como se julgava, insuperáveis as nossas dúvidas!!!

sábado, julho 16, 2005

Pequenos Indicadores.

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Caçado na rede....
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E AS VANTAGENS DA TERCEIRA IDADE:

01. A sua reserva de células cerebrais baixou finalmente a um nível administrável.
02. Os seus segredos estão seguros com os seus amigos pois eles também já não se lembram.
03. As suas articulações fazem uma previsão de tempo mais exacta do que a meteorologia.
04. Há gente que lhe telefona às 9 da noite e pergunta: - Acordei-o?
05. Nunca mais ninguém lhe chama hipocondríaco.
06. Nunca mais tem necessidade de estudar.
07. As coisas que compra já não vão ficar velhas.
08. Pode jantar às 6 da tarde.
09. Pode viver sem sexo mas não sem óculos.
10. Distrai-se a ouvir falar das cirurgias dos seus amigos.
11. Discute acaloradamente sobre a reforma e os planos de saúde.
12. Pode dar uma festa lá em casa que os vizinhos não dão conta.
13. O limite de velocidade deixa de ser um desafio.
14. Nunca mais precisa de encolher a barriga para ninguém.
15. Já canta a música do elevador.
16. Os seus olhos já não pioram mais.
17. O seu investimento no plano de saúde começa a valer a pena.
18. Já não se lembra quem lhe mandou esta lista ou em que blog a leu."

Os 'altos e baixos' de uma candidatura.

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Carrilho, na sua corrida para a candidatura à Câmara de Lisboa, começou por imprimir na respectiva campanha 38.760 caracteres de ideias (que os arqueólogos ainda não conseguiram decifrar totalmente) ao mesmo tempo que evidenciava um ímpeto pessoal muito entusiástico e moderno mas que, como sempre acontece, o nosso meio – socialmente pouco letrado e muito menos motivado para grandes modernices – logo interpretou com o corrosivo, malicioso e depreciativo epíteto nacional: muita parra e pouca uva!!!

Depois, com a assessoria de uns tantos publicitários (sabe-se hoje que eram infiltrados ao serviço dos seus opositores), resolveu proceder à inclusão, em cartazes e vídeos promocionais, do tema sempre oportuno e tradicional d’A FAMÍLIA, tanto ao gosto de importantes e numerosas franjas da populaça votante (supunha ele)… Também não resultou. Vá-se lá entretanto explicar porquê!!!

É então que alguém: o partido, o Coelho, (ou até a mulher, não se sabe) ou todos juntos, o mais certo, teriam aconselhado o candidato a fazer uma pausa (termo técnico: saída de cena) para meditação. E lá foi ele obediente para retiro permitindo que, durante um tranquilo mês, não se ouvisse falar do cavalheiro, dos seus caracteres, da sua energia nem sequer do seu agregado familiar.

Entretanto, os adversários vão-lhe ganhando avanço dando entrevistas em todos os jornais e canais televisivos, inaugurando tudo o que está concluído ou em vias disso, elevando os protestos pelo que os adversários fizeram ou não fizeram… enfim, um autêntico sprint com a meta, perdão, com as urnas à vista… e com o Carrilho em retiro!

Só que o estratega Coelho – embora já com visíveis e preocupantes sinais de desconforto e em desespero de causa porque é a ele que o aparelho (o do partido) irá pedir contas no lavar dos cestos – tinha um trunfo na manga e resolve avançar ameaçadoramente com ele (com o trunfo). Então, de forma decidida, corajosa e frontal como aliás é seu timbre, e imitando o tom de voz dos experientes feirantes de Carcavelos, começou a gritar a plenos pulmões pelo nome da charmosa esposa do candidato. Mistério!!! O resultado não podia ter sido mais catastrófico, quer para o próprio Coelho que ficou afónico, quer para o candidato e sua charmosa mulher que, por via disso, se viram logo ridicularizados pela elite intelectual da nossa praça onde, afinal, têm assento!!! O que ainda não se apurou é se, neste caso, a culpa foi também foi da polícia de intervenção que, à semelhança do que acontece em Carcavelos e também em Cascais, intervém sempre que cheira a contrafacção…Mistério que virá a apurar-se mais tarde, certamente.

Hoje, depois de tantos desaires e quando já se admitia que o candidato, o estratega, a charmosa esposa e o próprio aparelho, já tivessem atirado a toalha ao chão num qualquer local simbólico destinado a uma das numerosas praças que se propunha construir na urbe lisboeta, sabe-se que tal não aconteceu…Esta notícia na imprensa faz supor, afinal, que tudo continua em aberto

Só resta, portanto, esperar para ver como tudo vai fechar….

sexta-feira, julho 15, 2005

O milagre, ou (será?) o pesadelo irlandês...

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Li hoje no Courrier internacional um artigo sobre o milagre Irlandês que me deixou ainda mais confuso do que andava. Na verdade – com base nas frequentes e optimistas citações dos especialistas e nos indicadores habitualmente publicados acerca do nível de desenvolvimento de alguns países na última década – reconhecia na Irlanda um modelo de desenvolvimento e de progresso digno de ser seguido. Cheguei mesmo a admitir que bastaria que o nosso primeiro-ministro (fosse ele qual fosse) acompanhado do seu séquito ministerial fizesse um estágio na Irlanda para logo poder aprender e a pôr em prática no nosso país os segredos do sucesso irlandês e, consequentemente, encontrar finalmente a chave para a nossa governação… E isto porque também pensava (ainda penso, apesar de tudo) que em política, como em muitas outras coisas que nos governam a vida, quase nada é novo, já está tudo feito, basta saber copiar.

Mas alguma coisa parece estar a falhar no que respeita ao “modelo irlandês” pois, se assim não é, qual será então a justificação para as sérias reservas manifestadas pelo autor do citado artigo? Deixo aqui a pergunta mas, para se poder responder, convém ler o seguinte:

Um modelo, a Irlanda? Deixem-me rir!

A ideia de que os europeus deviam seguir o exemplo irlandês assenta numa ilusão. Embora a economia esteja a prosperar, as coisas não correm melhor do que em qualquer outro país no que se refere à saúde, ao ambiente e à educação.
O debate irlandês sobre a crise na União Europeia (UE) baseia-se numa convicção presunçosa: a velha Europa teria muito a aprender connosco. Encontramos soluções para todos os problemas, quando eles estão prisioneiros do passado e do modelo obsoleto do Estado-providência. Mas detenhamo-nos na realidade irlandesa, para a colocar em perspectiva com as outras realidades europeias.
Vejamos primeiro a saúde. A Irlanda apresenta uma das piores taxas de mortalidade masculina da União e a mais curta esperança de vida dos homens. A mortalidade perinatal é a mais elevada entre os 15 membros originais e a mortalidade devido a doenças respiratórias, tanto nos homens como nas mulheres. Só o Quirguistão, o Cazaquistão e o Turquemenistão registam mais óbitos por cancro do pulmão, asma, pneumonia e doenças pulmonares obstrutivas crónicas do que a Irlanda e o Reino Unido.
A protecção do ambiente não está na melhor situação. Ganhamos regularmente a medalha do maior infractor da União, com duas vezes mais advertências, no ano passado, do que a França, que tem dez vezes mais habitantes do que a Irlanda. Com apenas um por cento da população europeia, somos objecto de 10 por cento das queixas da Comissão de Bruxelas em questões ligadas ao ambiente e também somos o pior aluno europeu em matéria de controlo das emissões pelas alterações climáticas.
Vamos agora à educação. Na Irlanda, uma turma do ensino básico tem, em média, 24,5 alunos, o que é muito superior à maioria dos nossos parceiros: 19 alunos por turma na Dinamarca, 20 na Bélgica, 18 na Itália e 15 no Luxemburgo. Em matéria de línguas estrangeiras, os irlandeses posicionam-se em terceiro lugar na classificação dos menos dotados, à frente dos britânicos e dos húngaros. Por fim, a nossa taxa de iliteracia nos adultos é uma das mais elevadas, não apenas da Europa, mas no conjunto dos países desenvolvidos.
Quanto aos critérios sociais, a Itália é o único país europeu a rivalizar com os nossos resultados em matéria de pobreza das crianças: 16 por cento dos miúdos irlandeses vivem na miséria. A percentagem de irlandeses que vivem na pobreza após receberem os subsídios do Estado é a mais elevada da UE, a par dos gregos e dos eslovacos. O nosso país também se classifica em quarto lugar na desigualdade dos rendimentos. E, de acordo com o programa da ONU para o Desenvolvimento, ocupa a segunda posição entre os países mais afectados pela pobreza e as desigualdades no seio da OCDE, a seguir aos Estados Unidos e, portanto, à cabeça da UE.
Aviso aos preguiçosos franceses e aos apáticos alemães, perfeitamente incapazes de criarem nos seus países um verdadeiro ímpeto dinâmico: estão à procura de um modelo de sucesso, alicerçado numa estratégia nacional forte com base na incompetência dos poderes públicos? Não procurem mais, têm a Irlanda
…”

Por: Fintan O’Toole, The Irish Times, Dublin
in: Nº 15 do Courrier internacional – Pág. 12


Simplesmente demolidor, este cavalheiro… Sim senhor!

Eu não sei a que conclusões chegaram mas eu - agora que revi o texto enquanto o transpunha aqui para o diário – devo confessar que, afinal, o meu desabafo inicial foi precipitado. Continuo a achar, por isso mesmo, que valerá a pena o Sócrates e “sus muchachos” irem fazer um estágio à Irlanda pois os indicadores deste cavalheiro não me convenceram... de todo.
Por exemplo: Ele diz que a Irlanda, apesar ter a economia a prosperar, tem problemas na saúde, no ambiente, tem a maior taxa de mortalidade masculina da União e a mais curta esperança de vida.
Ora, nestes domínios, nós até estamos muito bem… O que sempre nos tem falhado é precisamente a economia. Temos saúde para dar e vender que permite que os médicos, enfermeiros e afins façam greve sem lhes acontecer nada de mal! Esperança de vida é o que mais sobra pois, por isso, até já temos de aumentar a idade da reforma!!! Portanto, não será aí que está o mal. Quanto ao ambiente, o que há a recear também se, cá pelos nossos lados e à frente do governo, temos o campeão olímpico dos “incineradores”? Nada, evidentemente!!!
E no tocante à educação? Neste capítulo o autor do texto faz comparações tendenciosas (é a minha opinião) entre a Irlanda e a Dinamarca, Bélgica, Itália e Luxemburgo. Não sei qual a razão porque não comparou os seus dados com Portugal pois, nesse domínio (na reduzida média de presenças de alunos por turma) e embora eu não disponha de estatísticas, também ganharíamos seguramente aos pontos dado o baixíssimo número jovens que ultimamente em Portugal conseguem alcançar a escolaridade mínima obrigatória. Não será verdade?
Nããã… este cavalheiro – que ainda por cima cita nomes de países que eu duvido que existam, mas se o faz, dou-lhe o benefício da dúvida – deve pertencer à “Contra-Informação” lá do sítio, no mínimo… Fala… fala… mas no fim não veio acrescentar nada de importante pelo menos para mim que não me importava nada que Portugal estivesse como a Irlanda que ele diz doente, poluída e iletrada...
Julgo que é conversa de avarento! Por isso, repito, não fiquei convencido e - como até já sofro de asma desde que nasci - nada me afectaria se o modelo irlandês vingasse entre nós ! Venha ele... e rapidamente.

O sigilo dos inocentes.

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Volto hoje a falar nos resultados de um dos tabus da nossa sociedade, ou seja: a coberto da defesa do bom-nome e na base da presunção de inocência, presumo, não se divulgaram há dias (em letra maiúscula, acrescento), o nome dos criminosos e dos respectivos locais onde estavam a ser comercializados, na ânsia do lucro fácil, bens alimentares de primeira necessidade em estado que punha em perigo a saúde pública . Hoje e agora, se calhar com base nas mesmas disposições legais, não se mencionam os nomes dos indivíduos que nomeados para cargos públicos e à pala da solidariedade alheia, só “desviaram", para os seus bolsos, UM MILHÃO que era destinado a deficientes….

Francamente, em que época vivemos nós?

1 - Por um lado e a pretexto do terrorismo, colocam-se câmara de vigilância em cada esquina no sentido de "vigiar" todos os passos que cada um de nós dá fora de portas… E eu aplaudo, não só para tentar evitar as bombas que desde há muito estoiram como balões em tudo que é sítio, mas pela real insegurança com que hoje todos vivemos e que é a principal razão que justifica, por exemplo, que as cidades, vilas e aldeias mais pareçam locais desertos a partir de certas horas da noite (que agora ainda é dia) …Quem não deve o que teme… ou não deveria temer, melhor dizendo!!!

2 – No mesmo sentido e para prevenir a preparação de actos tresloucados (que não só as bombas), escutam-se as conversas das vizinhas, dos namorados e amantes, dos mafiosos, enfim, de toda a gente que comunica pelo telefone, pela internet, por SMS, até provavelmente por sinais de fumo, nesta época, a coberto dos incêndios que tem vindo a ganhar cota de mercado, ano após ano (permitam-me a piada de mau-gosto, reconheço!!!

3 – Entretanto, num quadro de limitação de meios policiais que faz com que toda a gente os reclame para patrulhar ruas, estradas e dar segurança a quem anda nos transportes públicos, executam-se operações stop (pré-anunciadas na TV, que original!!!) mobilizando, de uma assentada, oitenta guardas…. Resultado: Uma multa por excesso de velocidade (na auto-estrada) e um cafageste com 1,5 de álcool no sangue …para além, se calhar, de umas outras tantas multas (que é o importante) por infracções similares.

4 – Paralelamente, o sigilo bancário – para defesa dos que honestamente conseguem amealhar uns cobres e pertendem passar despercebidos perante a vizinhança – continua a ser um tema proíbido e inacessível nos nossos dias…. PORQUÊ? A quem preocupa a possibilidade das autoridades terem acesso ás movimentações bancárias? Não respondo (ao abrigo da lei que preserva o bom-nome e a presunção de inocência).

5 – Entretanto e ao invés da morosidade com que certas medidas são meticulosamente estudadas, analisadas, implementadas ou “engavetadas”, já há sinais de que estados membros da EU se preparam para rapidamente voltar a “fechar” as fronteiras. A questão aqui deveria colocar-se de outro modo e há muito, ou seja: a que título e quem são os responsáveis por se terem escancarado as portas sem que para tal estivessem asseguradas as respectivas condições de circulação e, consequentemente, de segurança? Resposta: Os mesmos de sempre que, traduzindo, NINGUÉM ou, certamente, só a nossa omnipresente D. Constança!!!

6 - Não menos grave de tudo isto é o que num país minimamente civilizado seria injustificável: A existência de Instituições que no nosso país existem "apenas" para maquilhar a máscara da democracia à sombra da qual todos estes "fenómenos" acontecem. Hoje damos apenas um exemplo mas que, provavelmente, também tem responsabilidadesno desleixo que permitiu o desvio do milhão....

Bom…. A conversa vai longa e mesmo sem chegar a conclusão nenhuma eu gostava, mesmo assim, de repor a razão inicial deste meu registo:

- Porque se não anunciam os nomes dos presumíveis meliantes “solidários” que, embora já se encontrem presos preventivamente (como por cá se costuma designar a prisão efectiva dos malfeitores) continuam com o seu “bom-nome” resguardado? Não é certamente ao abrigo da mesma lei que permite que certa comunicação social – só para referir o meio com maior eficácia de propagação – atira para a fogueira, com total impunidade, notícias difamatórias sobre “presumíveis” autores de crimes bem menores mas, nem por isso, menos apetecíveis para a tradicional, verrinosa e irremediável nacional coscuvilhice…Todos os dias!

Somos, de facto, um povo original…. Resta-nos isso!

quinta-feira, julho 14, 2005

Definições curiosas....

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Apanhadas na rede:

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AMOR
Doença temporária que se cura com o casamento e composta por quatro letras: duas vogais e dois idiotas.

DANÇAR
É a frustração vertical de um desejo horizontal.

ESCOTEIROS
40 crianças vestidas de idiotas, comandadas por 1 idiota vestido de criança.

DOR DE CABEÇA
Anticonceptivo mais usado pelas mulheres destes tempos.

VIRGEM
Menina de 10 anos, muito feia, que corre mais que o primo.

EXAME ORAL
Prova necessária para se conseguir um estágio na Casa Branca.

LÍNGUA
Órgão sexual que os antigos usavam para falar.

CONFIANÇA
Carta-branca que se dá a uma pessoa para que cometa uma série de abusos.

DIPLOMACIA
Arte de dizer "lindo cachorro" até se encontrar uma pedra para lhe atirar.

FÁCIL
Diz-se da mulher que tem a moral sexual igual à de um homem.

GINECOLOGISTA
Especialista que trabalha no lugar onde os outros homens se divertem.

HERÓI
Indivíduo que, ao contrário dos outros, não conseguiu fugir.

HOMEM
Ser masculino que durante os seus primeiros nove meses de vida quer sair de um "local" semelhante áquele onde tenta entrar o resto da vida.

INDIFERENÇA
Atitude que uma mulher adopta perante um homem que não lhe interessa e que é interpretada, por este, como se estivesse "a fazer-se difícil".

INTELECTUAL
Indivíduo capaz de pensar por mais de meia-hora seguida em algo que não seja sexo.

NINFOMANÍACA
Termo com o que o homem define uma mulher que deseja fazer sexo mais vezes do que ele consegue.

TRABALHO EM EQUIPE
Possibilidade de transferir a responsabilidade para os outros.

Escorregadela no Supermercado...

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Num supermercado, dois homens esbarram com os respectivos carrinhos:

- Desculpe, mas estava meio distraído. Ando à procura da minha mulher e não sei onde ela está.
- Mas que coincidência, eu também estou à procura da minha. A propósito, como é a sua?
- É morena, 1,75m, cabelos pretos até a cintura, corpo de violão, peitos grandes, duros e empinados e hoje está com um vestido preto, meio transparente, com um decote grande à frente. E a sua?
- Ah... A minha!!! Que se lixe, vamos é já procurar a sua...